Gestão Eficaz em Projetos

Somos uma equipe de gestores de projetos, onde elaboramos projetos de desenvolvimento sustentável, cultural e de desenvolvimento sócio econômico. Especialistas em formatação de Circuitos Turísticos. trabalhamos no fortalecimento, potencialização de circuitos e regiões turísticas onde buscam alavancar o fluxo turístico.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

ESPECIAL: Devemos criar aparelhos que não envenenem o planeta

por Redação do The Observer 18/12/2013



Vendas recordes de tablets, notebooks e smartphones. Computadores cada vez menores, televisores mais finos, telas mais luminosas e câmeras mais precisas. O que poderia haver de errado na explosão mundial das vendas de equipamento eletrônico e digital vista neste Natal? Os consumidores adoram os designs elegantes e a nova conectividade que oferecem, as empresas não conseguem produzir o suficiente para um mercado global enorme e faminto, e os governos veem a inovação tecnológica e a renovação de equipamentos como uma maneira rápida de sair da recessão. Esta é uma nova era da máquina, e o equipamento eletrônico é indispensável na casa e no trabalho.
Mas existe um lado negativo nessa revolução que os governos e as empresas até agora ignoraram. No impulso para gerar renovação rápida e novas vendas, as companhias deliberadamente tornaram impossível reparar seus produtos e encurtaram a vida útil dos equipamentos.
O hardware é desenhado para não acompanhar o software, a vida de um computador hoje é inferior a dois anos e os telefones celulares são atualizados a intervalos de meses. Muitos equipamentos eletrônicos hoje têm peças que não podem ser removidas ou substituídas. Antes era mais barato comprar um equipamento novo do que consertá-lo; hoje chegamos a um ponto em que é simplesmente impossível consertar.
O resultado é que não há possibilidade de reciclar a maior parte do equipamento eletrônico. Conforme os dispositivos são miniaturizados, tornam-se cada vez mais complexos. Um único notebook pode conter centenas de substâncias diferentes, dezenas de metais, plásticos e componentes que são caros para descartar. Como vimos na semana passada em Gana, vastas quantidades desse “e-lixo” perigoso estão sendo atiradas nos países em desenvolvimento, onde cabe às pessoas mais pobres tentar extrair o que puderem, em condições arriscadas.
A escala do crescimento do lixo eletrônico é chocante e deixou para trás governos e autoridades. Até 2017, espera-se que haverá mais de 10 bilhões de dispositivos móveis conectados.
De menos de 10 milhões de toneladas de lixo eletrônico geradas em 2000, hoje atingimos quase 50 milhões de toneladas, com todos os sinais de que aumentarão 33% nos próximos cinco anos. A Grã-Bretanha vai descartar mais de 1,3 milhão de toneladas de eletrônicos este ano, a maior parte das quais será enviada para aterros, incinerada ou exportada.
O antigo modelo corporativo de “pegar, fazer e jogar fora” não é sustentável. Nossa atual obsessão por gadgets e tecnologia está levando a indústria a abrir novas minas ao redor do mundo, desperdiçando energia, biodiversidade e água em cada etapa da extração. Enormes áreas de dejetos tóxicos são criadas e deixadas para as futuras gerações.
Hoje, é crítico criar produtos que possam ser facilmente reciclados. As empresas devem ser desafiadas a repensar o modo como fabricam e obtêm suas matérias-primas para garantir que não haja dejetos do início ao fim. Os aparelhos devem ser reutilizáveis e reparáveis, e a obsolescência programada precisa ser desencorajada. As empresas também devem se tornar responsáveis por todo o ciclo de vida de seus produtos, especialmente quando se tornam obsoletos.

Os governos devem monitorar melhor os carregamentos de lixo nos portos. O lixo eletrônico não é fácil de esconder, e o mercado negro está atraindo o crime organizado. Os recursos naturais há muito tempo são usados para alimentar conflitos violentos e abusos aos direitos humanos, mas hoje devemos aceitar que os equipamentos eletrônicos podem ser igualmente perigosos. A venda de milhões de computadores e telefones celulares, e até os brinquedos eletrônicos que daremos neste Natal, está sendo promovida por um modelo empresarial cada vez mais defeituoso, que leva a um planeta esgotado e poluído.

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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Amazonas vai receber R$ 14,9 milhões do Fundo Amazônia para projetos de agroecologia

por Alana Gandra, da Agência Brasil 13/12/2013

Rio de Janeiro – Projetos de agroecologia do estado do Amazonas, entre eles o de incentivo da agricultura indígena, o de revitalização do sistema de produção da borracha e o de beneficiamento da castanha, receberão recursos não reembolsáveis de R$ 14,9 milhões oriundos do Fundo Amazônia. O fundo é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES).
O contrato foi firmado ontem (12), no Rio de Janeiro, pelo diretor da área de Meio Ambiente do BNDES, Guilherme Lacerda, e pelo titular da Secretaria de Estado da Produção Rural do Amazonas (Sepror), Eron Bezerra. Ele informou que o financiamento permitirá o desenvolvimento de uma política de agroecologia no estado.
Segundo Bezerra, essa política se baseia em três linhas essenciais. Uma delas é a agricultura indígena, “que é uma experiência inédita no Brasil”. As outras linhas abrangem a revitalização do sistema de produção da borracha, ou a retomada da exploração de seringais nativos, e o beneficiamento da castanha, “para agregar valor e verticalizar a produção”.
O secretário ressaltou que serão atendidos pelos projetos 41 municípios. “É quase o estado inteiro, que tem 62 municípios”, disse. De acordo com o BNDES, a operação contempla área de 1.165.259 quilômetros quadrados, ou o equivalente a 75% do estado.
Os projetos, segundo ele, terão atuação simultânea e deverão começar a ser implantados já em janeiro de 2014. Bezerra declarou ainda que serão mobilizados 4 mil seringueiros. Na agricultura indígena, a ênfase será para a agroecologia. Serão contratados técnicos das próprias comunidades e construídas 25 casas de farinha semimecanizadas.
“São pequenas agroindústrias para beneficiamento da mandioca, que é uma cultura tradicional das populações indígenas. E vamos construir uma agroindústria de castanha no município de Tefé, a cidade de maior produção de castanha no estado e que nunca teve uma fábrica de beneficiamento do produto”, ressaltou.
O BNDES informou, por meio da assessoria de imprensa, que o projeto contribuirá para a promoção de atividades produtivas sustentáveis como alternativa para a manutenção da “floresta em pé”, beneficiando o público-alvo prioritário do Fundo Amazônia, que são os povos indígenas e extrativistas. De acordo com o banco, a iniciativa atende às diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT).
O Fundo Amazônia foi criado pelo governo federal em 2008 e é composto de doações financeiras que são aplicadas pelo BNDES em projetos de combate ao desmatamento, promoção da preservação e do uso sustentável das florestas da região. Desde a sua criação, foram aprovados 48 projetos, que totalizam desembolsos de R$ 763 milhões.

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Sementes robustas da agroecologia brasileira

por Elenita Malta Pereira* 16/12/2013


Num país pressionado pelo agronegócio, produtores que respeitam natureza mostram força, conquistam políticas públicas e se dizem preparados para transformar produção de alimentos.

“Nunca vamos mudar as coisas por pura luta contra a realidade. Para mudar algo, temos que construir um novo modelo sobre algo existente”. (Stephen Gliessman citando o escritor Richard Buckminster Fuller)
Crianças de mãos dadas com seus pais, idosos, indígenas, grupos de pessoas calçando chinelos e vestidas de forma simples. Não, não estamos observando a circulação de pessoas em algum parque, praça ou feira, mas sim no centro de eventos da PUC do Rio Grande do Sul. Esse não costuma ser o público usual de ambientes universitários, mas estamos falando de um evento científico e também político: o VIII Congresso Brasileiro de Agroecologia, realizado de 25 a 28 de novembro de 2013, em Porto Alegre, promovido pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), com organização e patrocínio de várias entidades e órgãos estatais.
Após dez anos, o principal evento de agroecologia do país voltou à cidade onde nasceu, em 2003. Cerca de 4.300 pessoas participaram, entre apresentadores de comunicações e pôsteres, palestrantes nacionais e internacionais, agricultores, estudantes e público em geral. Além das atividades acadêmicas houve oficinas, ações culturais, feira de produtos orgânicos e de artesanato, troca de sementes crioulas e debates paralelos.
O VIII Congresso de Agroecologia debateu, entre outros assunto (que podem ser conferidos aqui), a construção de políticas públicas para a agricultura orgânica no Brasil. O principal instrumento dessa política, o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), foi apresentado pelo representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) Valter Bianchini. Lembrando os esforços dos pioneiros da agroecologia no Brasil – Ana Primavesi, José Lutzenberger e Sebastião Pinheiro –, Bianchini avaliou o plano como o ápice de uma evolução de mais de quarenta anos de lutas pela agroecologia no Brasil. É a primeira vez que o Estado brasileiro constrói um plano para desenvolvimento da área e direciona uma soma tão significativa de recursos: 8,8 bilhões de reais. Segundo o professor e pesquisador Miguel Altieri, é o primeiro plano governamental de agroecologia do mundo.
Paulo Petersen, presidente da ABA, mencionou que a presidenta Dilma convidou entidades e movimentos interessados a participar, por meio de vários seminários, da construção do plano. Essa participação na construção de uma política pública para a agroecologia é fato inédito no país. Nem todas as sugestões e propostas foram incorporadas, porém houve participação e luta até o último minuto, garantiu Petersen.
No entanto, os palestrantes mostraram grande preocupação com o paralelo avanço do agronegócio e as marcantes contradições dentro do governo. A professora Claudia Schmitt (UFRRJ) destacou o movimento em curso no Congresso Nacional com o objetivo de flexibilizar marcos regulatórios importantes (Código de Mineração, leis de demarcação de terras indígenas, Código Florestal, entre outros) para facilitar a ampliação de negócios no espaço rural.
Petersen afirmou que é preciso entender a economia do agronegócio para melhor combatê-la. Ela é altamente dependente de crédito bancário, infraestrutura (estradas, hidrelétricas etc), de insumos mecanizados e agrotóxicos, da mídia (que, em geral, defende uma falsa eficiência produtiva do agronegócio), e da bancada ruralista para aprovar legislação a seu favor. Nesse contexto, a margem de novas alternativas a esse modelo é reduzida, em nome da governabilidade. O governo, muitas vezes, fica refém dos interesses do agronegócio.
Além disso, há contradições presentes dentro dos órgãos do governo, como foi observado pelo governador Tarso Genro, em seu discurso na abertura do Congresso. Segundo ele, a ambiguidade presente no fato de que o Ministério da Agricultura seja o ministério do agronegócio e o Ministério do Desenvolvimento Agrário defenda a agricultura familiar e sustentável reflete na estrutura estatal a disputa pela hegemonia, a ser cristalizada com políticas e programas públicos. O governador afirmou que o ideal seria, a longo prazo, que tivéssemos apenas um ministério, o da Agricultura e da Sustentabilidade, para que esse jogo de ambiguidades fosse superado e se fundisse numa visão que não é só de agricultura, é uma visão de mundo e de humanidade.
Outro aspecto preocupante da questão é a cooptação do meio acadêmico, considerado por Petersen um “autismo científico”. Muitos pesquisadores agem como se o agrobusiness fosse um caminho único e inexorável. Nesse sentido, é preciso rever o papel do mundo acadêmico, da ciência perante a sociedade. O Congresso Brasileiro de Agroecologia coloca-se como alternativa acadêmica a essa visão hegemônica dentro das universidades. O número de trabalhos apresentados mostra a pujança científica crescente da área: 1.055 apresentações, entre palestras, comunicações, relatos de experiência e pôsteres.
Diante desse quadro, a agroecologia se firma ainda mais como movimento de reação, avançando “pouco a pouco”, segundo Petersen: “o governo tem mostrado predisposição ao diálogo democrático e isso deve ser valorizado”. Ele observou que as entidades e movimentos devem seguir seu trabalho, aproveitando o momento favorável em políticas públicas, e apresentar bons projetos para receber os recursos disponíveis; e reforçou o papel da Embrapa, Universidades e Emater para que o plano de fato aconteça: “Os desafios permanecem e é preciso seguir lutando”.
Havia um clima de consenso de que a agricultura ocupa o centro da crise planetária – e seu papel pode ser de algoz ou de cuidadora do mundo. A revolução verde e o agronegócio vêm causando poluição dos solos, água e ar, além de doenças e morte de humanos e animais. Por outro lado, a vertente da agroecologia, ao cuidar e respeitar os ritmos da natureza, oferece uma alternativa de saúde e real desenvolvimento à humanidade.
As soluções oferecidas até o momento têm sido “mais do mesmo”: resolver os problemas causados pela tecnologia com mais tecnologia – o exemplo mor representado pelos transgênicos. Para resolver a resistência ao herbicida Glifosato, está prevista a aprovação de “novas” sementes de milho e soja resistentes a um herbicida ainda mais danoso, o 2,4-D, componente do Agente Laranja.
O momento, portanto, é ao mesmo tempo de comemorar e continuar lutando para superar grandes desafios. Os avanços obtidos devem ser celebrados: segundo Petersen, existem atualmente no Brasil 250 grupos de pesquisa e mais de 100 cursos de agroecologia nas universidades. Apesar de o paradigma convencional pautado pela tecnociência ainda ser dominante, é possível observar um crescente interesse dos pesquisadores pelo paradigma que tenta produzir cuidando da natureza, não lutando contra sua biodiversidade.
Também o número de propriedades vem aumentando. Segundo dados do IBGE, havia em todo o Brasil, em 2006, 90 mil propriedades orgânicas; destas, 11 mil com certificação. A meta do MDA é chegar a 50 mil certificadas até 2015. É visível o aumento do número de agricultores interessados em trocar de modelo, muitas vezes devido a intoxicações ou mortes na família provocadas pelos agrotóxicos.
A agroecologia como teoria crítica tem condições de diagnosticar as raízes da crise e apontar soluções. Para o palestrante final do evento, referência internacional no tema, professor Stephen Gliessman, da Universidade da Califórnia-Santa Cruz, a agroecologia “é a alternativa ao mercado mundial” e, ao mesmo tempo, caminho para “a transformação ética, moral, social e de valores”. Ele destacou o papel das redes e movimentos sociais alternativos para mudar a estrutura do mercado. É preciso conectar produtores e consumidores, através de mercados locais, e convencer mais e mais agricultores a passarem pelos três estágios de mudança da agricultura convencional para a que preza a ecologia: conversão, transição e transformação.
Gliessman enfatizou também a importância da investigação científica em parceria com os agricultores, o que ele chamou de “ação participativa”, uma real “educação para a sustentabilidade”, que pode ser aplicada nas escolas de agronomia de todo o mundo. E, o mais interessante, esse eminente pesquisador reconhece que agroecologia não é só conhecimento acadêmico. Em sua opinião, “agroecologia é ciência, prática e movimento social”.
Os ventos nunca sopraram tão a favor da agroecologia, mesmo que passem também por um mar de transgênicos e de agrotóxicos… É preciso fazer o Planapo acontecer no dia a dia das propriedades e continuar pressionando os governos por maiores recursos financeiros e corpo técnico capacitado para orientar os agricultores, tanto na transição como na continuidade de suas lavouras ecológicas.

A técnica nem sempre é má, como defendeu José Lutzenberger, um dos maiores batalhadores pela agricultura de base ecológica no Brasil e no exterior. Existem técnicas “do bem”, e a agroecologia é uma delas; ela pode ser “o caminho suave”, como dizia Lutz, que pode cuidar da saúde do planeta e, por consequência, de todos nós.
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Resolução do Contran dificulta fiscalização da “fumaça preta”

por Assessoria de Imprensa 16/12/2013


Especialistas em meio ambiente estão fazendo duras críticas à nova resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que entrou em vigor no último dia 27 de setembro com objetivo de combater a chamada “fumaça preta”, emitida principalmente por caminhões e ônibus antigos. A emissão de gases por veículos é a principal causa da má qualidade do ar nas grandes cidades, ocasionando na morte de mais de 17 mil pessoas anualmente apenas no Estado de São Paulo.

A resolução 452/13 revoga uma outra até então em vigor, de fevereiro de 1977, que permitia a utilização da escala de Ringelmann para aferição da fumaça preta pelos órgãos municipais responsáveis pela fiscalização. Agora, a nova lei obriga o uso apenas do opacímetro para esse fim. O opacímetro, aparelho que mede a quantidade e grau de enegrecimento da fumaça preta, tem um custo elevado, de cerca de R$ 9 mil por unidade, o que pode inviabilizar a fiscalização em larga escala. Já a escala de Ringelmann permite a identificação visual da emissão, por meio de uma tabela simples e de custo baixo (R$ 2,50 cada).
“Haverá dificuldades operacionais e de instrumentação sérias para a fiscalização com esse veto à escala de Ringelmann”, afirma Carlos Bocuhy, presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam) e conselheiro titular no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Segundo ele, a frota apenas de caminhões em desconformidade com o controle da poluição é de aproximadamente um milhão no Brasil, sendo que cerca de 100 mil transitam apenas no Estado de São Paulo. O Proam já entrou com uma representação no Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) contestando a nova resolução. “É unânime entre os técnicos do setor que é preciso manter a escala de Ringelmann, sob o risco de travar a fiscalização da emissão dos gases poluentes dos veículos no país”, diz Bocuhy.
A resolução 452/13 estabelece que os proprietários de veículos antigos movidos a diesel (principalmente os com fabricação anterior a 2005) deverão intensificar as manutenções preventivas e periódicas, a fim de minimizar as emissões de gases, sob risco de multas e apreensão dos veículos. Mas em seu último artigo, o oitavo, ao revogar as resoluções 510, 427 e 440, elimina o uso da escala de Ringelmann. “Ainda não entendemos se houve uma erro técnico do Denatran ou a proibição é para tornar a fiscalização mais precisa”, afirma Bocuhy. O fato, conforme ele, é que “na prática vai inviabilizar o controle por órgãos federais que não têm condições de adquirir o opacímetro em grande escala”.
Impactos e multas
Atualmente, o Código Brasileiro de Trânsito classifica como infração grave circular com o veículo produzindo gases tóxicos em quantidade excessiva. No Estado de São Paulo, por exemplo, o condutor identificado nessas condições recebe multa ambiental de 60 UFESPs (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo), que equivalem a R$ 1.162,20, podendo chegar 480 UFESPs, ou R$ 9.297 mil, em casos de reincidências. Além disso, também é prevista a retenção do veículo para adequação e regularização.
Nas regiões metropolitanas das grandes cidades, o material particulado gerado pela queima do diesel é um dos principais responsáveis pela poluição. Os motores a diesel emitem 80 vezes mais óxidos de nitrogênio por quilômetro rodado, 30 vezes mais monóxido de carbono do que os a álcool e libera oito vezes mais partículas sólidas e 3,6 vezes mais dióxido de enxofre do que os motores a gasolina.


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Mais de 37,7 mil toneladas de embalagens de agrotóxicos tiveram destino ambientalmente adequado este ano

por Camila Maciel, da Agência Brasil  16/12/2013


São Paulo – De janeiro a novembro deste ano, mais de 37,7 mil toneladas de embalagens vazias de agrotóxicos foram recolhidas e encaminhadas para o destino ambientalmente correto. O dado foi divulgado no último dia 13 pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), entidade que representa os fabricantes desses produtos. O número representa um crescimento de 9% no volume coletado em todo o país, em relação ao mesmo período de 2012.
O estado de Mato Grosso, área com intensa atividade agrícola, foi o que mais recolheu embalagens nesse período. Foram 8,8 toneladas, que representam um crescimento de 8% em relação ao ano passado. Em seguida, estão os estados do Paraná (4.751 toneladas), de São Paulo (4.457), Goiás (4.203) e Rio Grande do Sul (3.541). Juntos, eles respondem por cerca de 70% do total do país.
O Maranhão, Rondônia e Roraima, por sua vez, destacaram-se em relação ao aumento do volume recolhido. O total de embalagens que foram utilizadas em plantações maranhenses passou de 605 toneladas, de janeiro a novembro de 2012, para 934 em igual período deste ano, um incremento de 54% no descarte adequado. Em Rondônia, houve crescimento de 53%, tendo passado de 153 toneladas para 233. Em Roraima, a coleta aumentou 24%, totalizando 15 toneladas.
De acordo com o inpEV, cerca de 94% das embalagens plásticas primárias, que entram em contato direto com o agrotóxico, são devolvidas pelos agricultores. A entrega é feita em 400 unidades de recebimento espalhadas pelo país. Parte desse insumo é reciclada, sendo novamente transformada em recipiente para esss produtos ou em embalagens plásticas. Outra parte é incinerada.
Além das unidades de recebimento, unidades itinerantes contribuem para que a entrega seja feita por pequenos e médios produtores que têm propriedades em lugares remotos. Cerca de 10% de todo o material coletado foram recolhidos nesses postos temporários.
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Agricultura urbana dá renda e alimentos a jordanianos pobres

por Elizabeth Whitman, da IPS 16/12/2013

A agricultura urbana está em moda na Jordânia. Foto: Qtea/CC BY 2.0

Amã, Jordânia, 16/12/2013 – Flores crescem em pneus velhos, enquanto plantas de pimenta enchem embalagens de plástico reutilizadas e ervas surgem de antigos canos. Tão utilitário quanto alegre, esse terraço é um dos vários projetos de agricultura urbana que melhoram de modo significativo o sustento dos moradores pobres da Jordânia. A agricultura urbana é um fenômeno que cresce sem pressa, mas sem parar, nesse país, e tem um vasto potencial em matéria de redução da pobreza e melhoria da segurança alimentar.
Também tem o benefício agregado de tornar verdes e limpos mais setores deteriorados das cidades. Mas o sucesso da agricultura urbana depende de componentes fundamentais, que cada vez são mais difíceis de garantir: terra e água. O espaço para plantar diminui dia a dia no país, que sofre uma perpétua escassez hídrica. Embora esses problemas sejam importantes, também obrigam os jordanianos que praticam a agricultura urbana em Amã a criar respostas inovadoras e eficientes.
Quanto maior o êxito dessas respostas, mais valiosa se torna a agricultura urbana na Jordânia, onde dois terços dos 160 mil habitantes que sofrem insegurança alimentar vivem em cidades e onde 13% da população sobrevive abaixo da linha de pobreza. Para essas pessoas a agricultura urbana não é uma solução completa, mas alivia a pobreza e, no longo prazo, seus benefícios indiretos poderão se generalizar.
Um aumento demográfico sem barreiras e desenvolvimento urbano relativamente sem planejamento transformaram Amã, de uma aldeia na década de 1940, em uma vasta metrópole de mil quilômetros quadrados no século 21. Com 2,3 milhões de habitantes, a capital possui 312 habitantes por quilômetro quadrado, mais de quatro vezes a densidade nacional.
Embora a urbanização caótica não tenha criado a mais funcional das cidades, a descontrolada expansão resultante, na realidade, combina de modo bem harmônico com o conceito de agricultura urbana. Aproveita os espaços vazios que há entre as casas e os parapeitos das janelas, bem como sacadas e terraços, para plantar verduras, ervas e outras plantas que as famílias possam consumir ou vender para melhorar a renda.
Amã iniciou seu programa oficial de agricultura urbana em 2006, segundo Hesham al Omari, o engenheiro que está à frente do escritório do programa na Municipalidade da Grande Amã, como parte de uma iniciativa do internacional Centro de Recursos sobre Agricultura Urbana e Segurança Alimentar.
Embora criar hortas domésticas não seja algo novo na Jordânia, o programa da Municipalidade buscou multiplicá-las e torná-las mais eficientes, ajudando a população a começar a plantar em suas casas, dando-lhe, inclusive, os materiais para fazê-lo e organizando cursos para ensinar a cultivar a maior quantidade possível ao menor custo.
“Escolhemos materiais baratos para as pessoas”, disse Omari. Nos cursos ensina-se a reutilizar materiais como lata, saco plástico e madeira velha para plantar. Nos primeiros projetos foram plantadas algaroba e oliveira em uma área pobre do leste de Amã para prevenir a desertificação, e foram capacitadas mulheres de outro distrito no cultivo de ervas aromáticas e resistentes às secas.
Atualmente, o escritório organiza essas instâncias de capacitação em escolas e organizações de mulheres. “As frutas e as verduras nos mercados são caras, por isso se as pessoas podem produzi-las em suas cassas poderão economizar”, pontuou Omari. Ele estima que na capital existam pelo menos 400 hortas em terraços, e espera que um dia passem de mil.
Nos países árabes, que importam a maior parte de seus alimentos, e inclusive se espera que comprem mais nas próximas décadas, a segurança alimentar está sujeita ao constante aumento no preço dos alimentos. Assim, a agricultura urbana é uma maneira de melhorá-la, afirma um estudo do Centro Internacional para os Estudos Agronômicos Avançados no Mediterrâneo (Ciheam).
“Apesar de praticada há tempos, a agricultura urbana é pouco reconhecida por cientistas agrícolas, políticos, pesquisadores e inclusive pelos que a exercem”, segundo o Centro Internacional de Pesquisa sobre o Desenvolvimento, que financiou o trabalho do Ciheam, destacando o pouco valor que às vezes se dá ao cultivo nas cidades.
No terceiro país com maior escassez hídrica do mundo, gastar a preciosa água em hortas domésticas parece um luxo que os jordanianos não podem se dar. Por isso, a Municipalidade da Grande Amã também está ensinando os agricultores urbanos a fazer uso eficiente da água, mediante sistema de reciclagem de “água cinza” (as residuais das casas que não são de vasos sanitários), técnicas de irrigação e coleta de água da chuva. “No verão, temos pouquíssima água”, contou Jawla al Amayra, que vive na aldeia de Iraq al Amir, nos subúrbios do oeste de Amã, onde a Municipalidade realizou um de seus projetos de capacitação.
A fragmentação agrária e a urbanização também afetam de modo significativo a agricultura. Em regiões onde a redução da terra cultivada é mais severa, incluída Amã, entre 1975 e 2007, a terra destinada ao cultivo de grãos teve redução de 65%, e ao plantio de verduras 91%, segundo pesquisa do Programa Mundial de Alimentos e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O preço da terra também aumenta, por isso, se alguém tem um terreno vazio, o incentivo para vendê-lo é muito mais forte do que para trabalhá-lo, afirmou Omari.
Apesar desses desafios, o Centro Internacional de Pesquisa sobre o Desenvolvimento elogiou Amã, onde “o forte apoio municipal incentivou o desenvolvimento” da agricultura urbana. Além disso, uma vez que os participantes tenham terminado o curso de capacitação, transmitem os conhecimentos que adquiriram a vizinhos e amigos que não participaram do programa, ressaltou Omari.
O sucesso obtido em Amã cimentou o caminho para que outras cidades embarcassem em projetos semelhantes. Da população jordaniana, 82% é urbana, o que significa que a vasta maioria pode participar desse tipo de agricultura e colher os mesmos benefícios: renda extra, mais segurança alimentar e acesso a produtos frescos.
Um informe final do Centro de Recursos sobre Agricultura Urbana e Segurança Alimentar, a propósito de um dos projetos da Municipalidade da Grande Amã que financiou, se mostrou otimista sobre as perspectivas desse fenômeno, não só na capital, mas também no resto do país. E destacou que a agricultura urbana “se converteu em parte integral da agenda da Municipalidade, e a legislação se tornou mais amigável” com essa prática.
Graças à Municipalidade – observa o informe – a agricultura em cidades teve o apoio de altas esferas do governo. Na semana passada, o Ministério de Agricultura decidiu começar a vender árvores frutíferas jovens para o público a preços irrisórios, “para aumentar os espaços verdes na Jordânia, especialmente com cultivos e árvores que são economicamente viáveis”, enfatizou Nimer Haddadin, porta-voz do Ministério.
Entretanto, do ponto de vista de Omari, o governo não pode fazer tudo para difundir a agricultura urbana, embora tenha iniciado novos projetos em Jerash, no norte de Amã, e em Ain al Basha, no nordeste. “É necessária a ajuda do povo”, disse, sorrindo. 
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Países pobres estão 100 anos atrás dos ricos em preparação climática

por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil  16/12/2013


Novos dados do Índice de Adaptação Global da Universidade de Notre Dame enfatizam disparidades entre países pobres e o risco em relação à resiliência climática; Brasil aparece em 68º lugar, com classificação considerada média-alta
Um novo relatório publicado por pesquisadores da Universidade de Notre Dame afirma que levará mais de um século para que os países em desenvolvimento atinjam o nível de preparação climática que as nações desenvolvidas já possuem.
O Índice de Adaptação Global da Universidade de Notre Dame (ND-GAIN), lançado nesta quinta-feira (12) avaliou 175 países e se foca em questões como a vulnerabilidade das nações às mudanças climáticas, ao aquecimento global e a eventos climáticos extremos, como secas severas, tempestades devastadoras e desastres naturais.
Alguns exemplos de países nessa trajetória de 100 anos incluem o Camboja, o Quênia e o Haiti. “Devido ao recente tufão nas Filipinas, algumas pessoas podem estar se perguntando onde essa nação insular fraqueja em termos de prontidão”, comentou Nitesh Chawla, diretor do Centro Interdisciplinar para Ciência de Rede e Aplicações.
“De acordo com os dados, as Filipinas estão mais de 40 anos atrás dos países mais desenvolvidos em preparação climática. Embora isso seja menor do que os países mais pobres, mostra que as Filipinas ainda tem um longo caminho pela frente”, continuou Chawla.
Já alguns dos países emergentes mais industrializados, como o Brasil, apresentaram uma classificação considerada média-alta, apresentando um nível relativamente satisfatório de resiliência. Nosso país ficou em 68º lugar no geral, sendo classificado em 56º em vulnerabilidade e em 79º em preparação.
“Sabíamos que havia disparidades entre os países mais ricos e mais pobres quando se tratava de adaptação e preparação às mudanças climáticas”, colocou Jessica Hellmann, bióloga da Universidade de Notre Dame.
“Mas não sabíamos que levaria mais de 100 anos para que os países mais pobres atingissem os níveis de preparação que os países mais ricos já alcançaram”, acrescentou ela.
Mas os especialistas que trabalharam no relatório declararam que, de acordo com as pesquisas, nem mesmo os países desenvolvidos são exatamente à prova de mudanças climáticas e do aquecimento global.
Pelo contrário, o documento sugere que, embora eles estejam exercendo esforços para aumentar sua resiliência aos fenômenos naturais e eventos climáticos extremos que acontecem em seus territórios, ainda há espaço para melhorias.
“Esses dados são preocupantes, porque eles evidenciam o quão despreparadas algumas das nações mais vulneráveis realmente estão. Mas eles também mostram que os países mais desenvolvidos não estão fazendo o suficiente, o que levanta sérias questões sobre políticas públicas, não importa quão bem desenvolvida uma economia nacional possa ser”, observou Hellmann.
Os pesquisadores esperam que as descobertas ajudem os líderes mundiais a estabeleceram prioridades globais, regionais e nacionais, assim como estimulem a preparação para as mudanças climáticas.
RODRIGO PIZETA ESPECIALISTA EM GESTÃO AMBIENTAL: 
Projetos de Gestão integrada de resíduos sólidos
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Postado por ARVORE - Alianças Estratégicas às 04:29 Nenhum comentário:
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